A já mencionada carta de Clenardo a Latônio revela-nos, pela mesma época, como pululavam os escravos em Portugal. Todo o serviço era feito por negros e mouros cativos, que não se distinguiam de bestas de carga, senão na figura. “Estou em crer” , nota ele, “ que em Lisboa os escravos e escravas são mais que os portugueses.” Dificilmente se encontraria habitação onde não houvesse pelo menos uma negra. A gente mais rica tinha escravos de ambos os sexos, e não faltava quem tirasse bons lucros da venda dos filhos de escravos. “ Chega-me a parecer” , acrescenta o humanista, “ que os criam como quem cria as pombas para ir ao mercado.
Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brazil, 1936 [1995:54]).
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